segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Matrixxman – Homesick 2xLP (Ghostly International, 2015).


























Se você curte house / techno e é antenado com as novidades da cena, já deve ter ouvido falar do Matrixxman, que surgiu apenas em 2013, mas já lançou 12 singles até agora, fora esse ótimo álbum de estreia pelo renomado selo Ghostly International (que ano passado nos presenteou com ótimos discos do Com Truise e Tycho, esse último inclusive tocou em São Paulo no dia 28/05). Charles Duff é o nome por trás do Matrixxman.

Esse álbum contém 12 faixas que intercalam passagens dark ambient com um techno inventivo de ares sombrios e gelados. É uma música altamente futurista e robótica, assim como Kraftwek e Jeff Mills. Pela capa do disco já se percebe que o negócio é sinistro. Não dá para esperar alegria e coisas bobas de um disco com uma capa como essa. Matrixxman é assunto sério. Um dos melhores discos de 2015. 

Você pode adquirir "Homesick" de Matrixxman na Locomotiva Discos, clicando aqui.




domingo, 4 de outubro de 2015

Circa Survive @ Clash Club - 03/10/15.





















Os ingressos para os shows do Circa Survive em São Paulo se esgotaram rapidamente há meses antes do show acontecer. Isso mostrou que a banda tem um enorme séquito de fãs na cidade. O show aconteceu no Clash Club, clube de médio porte com capacidade para 1.000 pessoas. O local estava totalmente cheio. O público era formado basicamente por ex-emos, pessoas entre 20 e 30 anos que até pouco tempo atrás alisavam o cabelo, usavam enormes alargadores e pintavam a unha de preto. Hoje em dia usam um visual mais sóbrio, como óculos de aro preto, camisa polo e jeans, porém as orelhas, coitadas, ficam penduradas, um tecido mole mutilado e exposto.

O Circa Survive é uma banda que tem dois ex-membros do Saosin, grupo emo californiano formado no início dos anos 2000. As canções do Circa Survive adicionam elementos de rock progressivo e indie rock ao tradicional emocore, deixando a banda com uma sonoridade bem peculiar. Ao vivo, as várias mudanças de ritmos e tempos deixaram o som embolado, mas isso não atrapalhou a devoção dos fãs presentes, que ovacionaram a banda do início ao fim, causando vários comentários do próprio vocalista, que disse para a plateia diversas vezes o quanto o público paulista era empolgado e vibrante. O clima de celebração foi o melhor possível. Na foto, é possível ver que muitas pessoas filmaram o show, então deve ser fácil encontrar algum vídeo no YouTube.

A noite contou ainda com duas bandas nacionais de abertura. O Maguerbes e Bullet Bane. Vale destacar o horário, que foi respeitado pontualmente. Às 23 horas tudo já estava finalizado. O show foi impecavelmente organizado pela galera da Hearts Bleed Blue, que montou uma banca no local com vários discos e camisetas a venda. No local era possível ver um monte de gente com a sacola da HBB cheia de quitutes adquiridos no próprio local. No mais, vale dizer que é do Circa Survive um dos vídeos mais bizarros feitos em tempos recentes. O vídeo de “Schema” mostra o vocalista da banda numa luta com um tipinho bem assustador. Fica a dica, vale conferir.







sábado, 3 de outubro de 2015

Trambeat, "Tales From The Comprehensives" LP (Firestation, 2015).


























A gravadora alemã Firestation é especializada em lançar bandas indiepop altamente influenciadas pela soul music. No passado já lançou singles de bandas como Céleste, Gentle Tuesday, Goldstoned, entre outras, todas seguindo a cartilha indiepop, porém cheias de groove oriundo da soul music. Agora em 2015 chega o primeiro álbum do Trambeat, que alcança a perfeição desse estilo.

Para isso o Trambeat conta com um conjunto completo de metais e divas. Temos três pessoas dedicadas integralmente aos instrumentos de sopro e quatro vocalistas. Além da óbvia influência soul, a banda também presta tributo às girl groups. O álbum é composto de doze canções, sendo que pelo menos umas cinco são verdadeiros hinos indiepop e que facilmente podem figurar entre as melhores canções de 2015. São elas: “Walk a Mile in My Shoes”, “The Photograph Of You”, “Soul Force”, “Too Good For You” e “Almost You”. Todas com vídeos no YouTube.




Se você curte The Style Council, Swing Out Sister, Edwyn Collins e seu Orange Juice, não deixe de conferir o Trambeat. É uma das melhores bandas que surgiram nos últimos tempos e esse álbum é um dos dez melhores do ano. Ele foi lançado também pela Sundae Soul Recordings, etiqueta alemã especializada em soul e que de uns tempos para cá lança um compacto clássico atrás do outro. Ouça SouLutions do ano passado ou o recém-lançado 7” do McCrei. Altamente viciantes!

Você pode adquirir "Tales From The Comprehensives" do Trambeat na Locomotiva Discos clicando aqui.




Top 3 canções indiepop com influência soul lançadas pela Firestation:



 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Velho, "Senhor de Tudo" LP (Hell Music, 2014).


























Finalmente temos uma infernal banda de black metal que blasfema em português! O Velho é do Rio de Janeiro, mais precisamente de Duque de Caxias. Em 2009 lançaram a primeira demo, intitulada “Vida Longa Ao Primitivo”. Essa demo aparece no lado B desse disco. Em 2012 foi lançada “Senhor de Tudo”, a segunda demo presente no lado A do vinil, lançado no final de 2014 pela Hell Music. Antes disso a banda já havia compilado as duas demos num CD lançado em 2013 pela Cianeto Discos. Em breve lançarão o álbum de estreia pela Mutilation Records. O burburinho em torno do Velho só cresce!

A temática das letras, além da exaltação de Lúcifer e toda sua rebelião, também carregam um grande ódio e desprezo pela humanidade. A inspiração diabólica está presente em canções satânicas como “Uma Trilha Sem Pegadas” (Eu sei de um lugar longe de tudo / Eu conheço um rito proibido pela igreja) e “Senhor de Tudo” (Uma vez entronado / O filho da dor / Príncipe do erro / Persona do Terror), mas na maior parte o que temos mesmo é uma reflexão da existência da vida & morte do ser humano.

Em tempos atuais, onde tudo está tão errado, esse tipo de letra faz mais sentido do que nunca. Ainda mais no Brasil, terra que exalta o bandido e a ignorância. Lugar aonde todo mundo é corrupto e só pensa em levar vantagem, custe o que custar. É por isso que uma banda como o Velho merece todo elogio e destaque que ganhar. Uma banda que está indo além do gueto black metal para em breve conquistar todo e qualquer revoltado desse país. 

Velho, “Perto dos Portais da Loucura”:

Em meu castelo em ruínas
Onde não há mais lugar
Para os delírios da verdade
Pelos meus olhos
Você vai notar
Que eu estou tão longe
Perto dos portais da loucura

Velho, “Newton Misantropo”:

Atrás das montanhas do Paraná
Um homem jovem vive sozinho
Ele e as criaturas de sua mente
Companhia humana não se faz presente

Velho, “Coma Induzido”:

Vide a massa amorfa movendo-se plácida
Sob os olhos de petróleo de uma noite interminável
Não enxergam, não escutam, não vibram
Os passos maquínicos, decorados
A multidão sem face nem peito
Por vezes pensam que pensam,
Por vezes pensam até que falam
Mas serão deles, estas palavras?

Você pode adquirir o LP "Senhor de Tudo" do Velho na Locomotiva Discos, clicando aqui.






quinta-feira, 1 de outubro de 2015

The Fall, "Reformation Post-TLC!" CD (Dynamo, 2007).

























O mercado brasileiro de discos sempre nos reserva algumas surpresas. Uma delas foi o lançamento do décimo sexto álbum do The Fall em CD no país em 2007. A responsável pelo lançamento foi a Dynamo Records (a mesma que recentemente lançou o disco sobre o Tio Patinhas feita pelo cara do Nightwish). Obviamente o disco encalhou e hoje em dia pode ser encontrado quase de graça nas boas lojas de discos (na Locomotiva custa R$ 7). Uma oportunidade imperdível de ter um baita disco na coleção.

The Fall é uma das melhores bandas que já surgiram no Planeta Terra. Todos os discos lançados são bons e eles lançam discos toda hora. Depois de "Reformation Post-TLC!" de 2007 já lançaram mais cinco discos (inclusive saiu um ótimo esse ano). Qualquer pessoa que curta a boa música feita no mundo ouve The Fall pelo menos uma vez por semana durante toda a vida. As mais espertas usam até uma camiseta da banda de vez em quando. The Fall é maravilhoso.

Esse disco marca de vez o abandono em experimentos eletrônicos que a banda vinha fazendo desde o final dos anos 90. É uma volta às raízes rock de pegada kraut lo-fi dos anos 80. O nome do disco faz referência à reforma ocorrida na banda após três membros abandonarem Mark E Smith no meio de uma turnê nos Estados Unidos em 2006. As iniciais Post-TLC significam “post traitors, liars and cunts” em referência aos traidores, mentirosos e filhos da puta que abandonaram a banda. Foram recrutados novos músicos e a banda soa empolgada e inspirada nesse que é um dos melhores discos da banda.

Você pode adquirir o CD The Fall, "Reformation Post-TLC!" na Locomotiva Discos, clicando aqui.