segunda-feira, 18 de julho de 2016

Festival Locomotiva.




Meu irmão Marcio Custódio publicou no Facebook lembranças de um festival que ele organizou em Londres em 2010. Para não deixar a publicação perdida na poluição do Facebook, decidi também publicar aqui no blog. Eu estava nesse dia e fiquei chateado porque a banda que eu mais queria ver cancelou: o Epic45. A memória mais gritante que tenho do festival foi a feira de discos, a garota do selo Rocket Girl vendendo vários discos incríveis no dia. O festival Locomotiva também marcou pelo fato de, anos depois, ter batizado a Locomotiva Discos.

Marcio escreveu: "Esse foi um festival que organizei em Londres em 2010, pouco antes de voltar pra São Paulo. Só bandas shoegaze, kraut, drone, post-rock, ambient, experimental e afins. Na época eu tinha zilhões de contatos com bandas, já estava produzindo shows há alguns anos e então decidi fazer um final de semana cheio de bandas. Marquei todas elas, fiz a programação, fiz a arte do poster, organizei sozinho todo o festival, que aconteceu num pub maravilhoso no sul de Londres. Esse pub tinha uma área pra shows atrás, que cabia umas 300 pessoas e um palco bacana, além de uma área externa com mesas e cadeiras pra galera beber e fumar. Foi um final de semana incrível, mas deu um trabalhão!! Que megalomania!! Colocar 8 bandas em cada dia, hahaha, que loucura!!! Mas vocês sabem que sou louco mesmo. Quando me perguntam de onde tirei o nome da Locomotiva Discos, aí está a resposta. Tenho comigo todos os posteres de todos os shows que organizei durante 3 anos e meio na Inglaterra. Uma outra hora escrevo mais sobre isso."

Depois ainda adicionou mais lembranças: "tenho umas histórias desses shows. uma delas é que uma das bandas era uns muleques do interior da suécia, chatos pra caramba, que se hospedaram na minha casa para esse show. chegando em casa, já reclamaram do gato, eram alérgicos à gato. aí durante todo o tempo eles ficavam reclamando de londres, que era uma loucura, muita gente, muito transito, eles jamais conseguiriam morar numa cidade como aquelas. eram caipiras suecos. e pior ainda, vegetarianos-chatos. aí queriam comida vegetariana especial, e não a que eu ofereci, eles queriam tipo um comida vegetariana gourmet, very expensive. foi um saco. o show deles foi no domingo e eu acabei marcando mais um show deles na segunda, fora do festival, só deles, para aproveitar a visita à londres. aí na segunda, o show foi num pub em camden town e a noite lotou! fiquei feliz, pois achava que não ia ninguém. mas tive um problema naquela noite. minha namorada na época era uma alcoólatra-bipolar-maluca-perigosa-violenta e nessa noite, que eu tava trabalhando, cuidando do show, claro que ela deu problema. ela ficou muito bêbada, saiu pra fumar e quando voltou, o segurança disse que ela já estava muito bêbada e que não ia permitir que ela entrasse no pub. ela simplesmente ficou tão maluca que partiu pra cima do segurança, tentando bater nele. imagina, um segurança grandão, e ela ainda sim foi tentar brigar com ele. me chamaram e quando sai na rua, o segurança me falou, tira essa louca daqui senão vou chamar a polícia. meu deus do céu. sorte que meu irmão tava lá, pedi pra ele cuidar da noite pra mim e saí correndo em plena camden town road, levando ela comigo, enquanto ela xingava o segurança de todos os nomes. nem consegui me despedir dos suecos. doidêra. terminei com ela alguns dias depois, devido a outro caso de polícia que ela aprontou. meu deus, ela era muito louca."





quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Lançamento do Fanzine Esquizofrenia # 22.







































O blog ficou parado por uns meses devido ao fato de estar preparando uma nova edição do Fanzine Esquizofrenia impresso em papel. Ele foi lançado na Feira Plana, que aconteceu em São Paulo durante o final de semana (dia 15/01 ao dia 17/01). O zine tem formato meio-ofício, xerox com capa impressa em folha colorida e 24 páginas com basicamente o conteúdo do blog. Por ser adquirido no site da Locomotiva Discos, clicando aqui.

Editorial

O fanzine Esquizofrenia completa 23 anos em 2016. A primeira edição foi lançada em novembro de 1993 e desde 2006 não é lançada nenhuma nova edição impressa do fanzine. O Esquizofrenia não tem uma periodicidade definida. Lanço uma nova edição quando tenho vontade, disposição e tempo disponível.  Chegou a hora!

Na primeira edição do zine o Thurston Moore estava na capa. Nessa edição # 22 temos a Kim Gordon. Ambos fizeram parte do Sonic Youth. O motivo de ter a Kim Gordon na capa é o fato de eu gostar muito dela, mas também veio a calhar sua autobiografia, lançada recentemente no Brasil.

Na contra-capa temos a Lydia Lunch. Obviamente também gosto muito dela, mas também ajudou o fato dela ter lançado um ótimo disco recentemente, que por incrível que pareça, teve edição nacional. Quem lançou foi a Brava, que também a trouxe para tocar no Brasil, em São Paulo, no SESC Belenzinho, no fim de 2015.

O Sonic Youth lançou um single com a Lydia Lunch em 1985 intitulado “Death Valley '69”. Um dos grandes momentos da banda. No vídeo aparece a Kim Gordon com uma arma. É essa imagem que você encontra na capa do zine. Esse é o primeiro vídeo do Sonic Youth. A canção “Death Valley '69” também está presente no segundo álbum “Bad Moon Rising”.

O restante do conteúdo do zine são resenhas de livros, LPs, CDs e shows. No dia 24 de agosto de 2015, resolvi criar um blog anunciando a volta do Esquizofrenia. Durante 45 dias corridos, até 10 de outubro de 2015, publiquei uma resenha por dia, totalizando 45 resenhas.  A maioria delas agora está nesse fanzine.

Não gosto do virtual, da nuvem, dos arquivos de computador. Sou um acumulador, eu gosto da posse, gosto de guardar para depois pegar e ter o prazer da nostalgia, da boa lembrança. Obviamente só guardo aquilo que me agrada e os meus textos me agradam bastante. Por isso resolvi fazer esse fanzine impresso. O virtual fica obsoleto. O papel é para sempre.

Sou um apaixonado por papel. Coleciono fanzines, revistas, livros, postais, adesivos, até mesmo papéis com texturas e cores diferentes. Guardo tudo. Sou um frequentador assíduo das feiras de publicações alternativas que estão ocorrendo em São Paulo de uns anos pra cá. Feira Plana, Feira Tijuana, Miolos, Baronesa, Avessa, Parada Gráfica etc. Outro motivo que me levou e editar o fanzine é poder participar mais ativamente dessas feiras. Lanço essa edição na Feira Plana, dia 15/01/16, no MIS, em São Paulo.

Gilberto Custódio Junior





















Selo comemorativo do centenário do nascimento de Vinicius de Moraes que estou usando para enviar a nova edição do Fanzine Esquizofrenia pelo Correio. Junto com zine também envio alguns brindes. Lembrando que o fanzine está a venda aqui.


sábado, 10 de outubro de 2015

Noel Gallagher's High Flying Birds, "Chasing Yesterday" CD (Warner, 2015).

























Uma das grandes surpresas desse ano é o fato de que o segundo disco solo de Noel Gallagher é um dos melhores discos do ano. Quem diria? Depois de anos lançando discos medíocres com o Oasis e um primeiro disco solo bastante inócuo, chega esse petardo arrebatador cheio de grandes canções, tão empolgantes como os melhores momentos dos primeiros álbuns do Oasis. Se você for daqueles que só é fã de uma banda em seus primeiros discos, durante o hype, não deixe escapar a oportunidade de ouvir esse disco.

O ano segue mostrando que as boas bandas do britpop seguem rendendo bons frutos. O Blur lançou um álbum excelente, o Charlatans então, lançou o melhor álbum desde “Tellin' Stories” de 1997. Gaz Coombes do Supergrass também está arrasando na carreira-solo, com um segundo disco muito bom. O Suede acaba de lançar uma canção muito empolgante no YouTube. Até Paul Weller lançou um bom disco. Ampliando o conceito do que é britpop, temos até mesmo o Chemical Brothers em boa forma. Isso passado 20 anos do auge de todos eles. Surpreendente!

A pessoa mais bem sucedida dessa fase noventista do rock inglês é o Noel Gallagher. Ele continua a toda: esse novo álbum estreou na primeira posição dos mais vendidos no Reino Unido. É só ouvir para entender a razão: qualquer fã do bom e velho rock’n’roll reconhece que esse é um ótimo álbum com guitarras possantes, refrões empolgantes, canções grandiosas como “Lock All The Doors”, a melhor do disco, que deixa o ouvinte com a maior vontade de cantar junto aos berros. É um álbum irresistível que conquista até mesmo o maior dos cínicos.

O fato de que Noel Gallagher é uma das pessoas mais lúcidas e engraçadas da cena musical há muitos anos, só ajuda a promover o grande artista que provavelmente ainda vai nos presentear com muito mais discos bacanas e excelentes entrevistas. O futuro dirá que estamos diante de um gênio de nosso tempo. É com grande prazer que acompanhamos todos os passos de Noel Gallagher. O CD saiu no Brasil no formato envelopinho de papelão com capa dupla, encarte com as letras, um charme. 

Você pode adquirir o CD Noel Gallagher's High Flying Birds, "Chasing Yesterday" na Locomotiva Discos, clicando aqui





sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Bleib Modern, "All Is Fair In Love And War" LP (Wave, 2015).

























A gravadora paulista Wave, que recentemente nos presenteou com o relançamento da discografia completa da banda pós-punk inglesa The Veil em CD, lançou também recentemente em vinil e CD o primeiro álbum do Bleib Modern, uma banda alemã que flerta com o darkwave e o pós-punk. A primorosa edição em vinil branco, com traços pretos respingados, acompanhado ainda de um CD com diversas faixas bônus, é a edição escolhida para deixar qualquer coleção de discos mais bonita. Mas caso a crise esteja afetando o bolso, tem também a edição em CD, bem mais econômica.  

De acordo com o release, as letras do Bleib Modern abordam o ódio e o desprezo pelo ser humano. Em tempos de “amor aqui, amor acolá”, esse sentimento um tanto banalizado hoje em dia, essa negatividade é algo para prestar atenção e curtir adoidado, mas é uma pena que o disco não tem encarte, iria facilitar o entendimento completo de canções como “If Love Is Just a Word”, que além desse nome, tem um vocal frio e tenebroso, linhas de baixo marcantes e uma guitarra econômica mergulhada em reverb. O álbum, que é excelente do começo ao fim, segue essa linha pós-punk minimalista, como um encontro perfeito de Young Marble Giants com Sisters of Mercy.   

Você pode adquirir o LP do Bleib Modern aqui e o CD aqui.







quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Soichi Terada, “Sounds From The Far East” 2xLP (Rush Hour, 2015).


























O irresistível sorriso de Soichi Terada e a camisa florida na capa do álbum já denuncia uma sonoridade ensolarada e festiva. É isso mesmo que encontramos nesse vinil duplo, na verdade uma compilação de singles lançados no início da década de 90 pelo selo Far East Recording, do próprio Soichi Terada, um japonês formado em ciência da computação que produz música eletrônica, em especial trilha-sonora para videogame.

Esse brilhante resgate da Rush Hour é o melhor relançamento de música eletrônica em 2015. As canções de Soichi Terada lembram bastante os melhores momentos do Saint Etienne, ou seja, quando a banda não tem vergonha de produzir a melhor dance music do mundo. Temos nessa retrospectiva 12 canções pop que vão da house music em voga nos anos 90 até uma envolvente deep house, com direito a graves melódicos e chapantes. Altamente recomendado!

Você pode adquirir “Sounds From The Far East” do Soichi Terada na Locomotiva Discos, clicando aqui.




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Cemitério, “Cemitério” LP (Kill Again, 2015).


























A maioria das bandas precursoras da cena metaleira nacional do começo dos anos 80 cantava em português. Somente em meados da década, principalmente por causa das bandas que a Cogumelo Records lançava, o inglês se tornou a língua padrão. Por causa do sucesso do Sepultura, a grande maioria das bandas de metal brasileiras canta em inglês até hoje. Mas isso começa a mudar com o surgimento e sucesso de bandas como o Velho e Cemitério.

É um grande prazer ouvir uma banda de metal com boas letras em português. É esse o caso do Cemitério. As letras são todas influenciadas por clássicos filmes de terror. Influenciadas não seria a melhor palavra usada, já que a maioria delas prestam verdadeiros tributos aos filmes, a começar pelos nomes: “A Volta dos Mortos Vivos”, “Sexta-Feira 13, “Holocausto Canibal”, “A Sentinela dos Malditos” etc. As letras geralmente contam a história dos filmes.  

O som do Cemitério é metal extremo, mais precisamente death metal, com direito a voz gutural e andamento rápido, porém cadenciado, raramente caindo no bate-estaca. O mais impressionante é que lendo encarte ficamos sabendo que o paulista Hugo Golon é responsável por todos instrumentos e produção. Cemitério é uma “banda de um homem só”. Hugo também toca no Blasthrash, Side Effects e Comando Nuclear.

Vale visitar o canal da banda no YouTube. Tem vídeos para quase todas as músicas do álbum, geralmente com imagens dos filmes em questão e com as letras de legenda. Esse álbum foi lançado no fim do ano passado em CD e agora é lançado em vinil, com direito a pôster e adesivos. Tem a versão em vinil preto e vinil roxo. O vinil custa quatro vezes mais que o CD, mas nesse caso, vale a pena investir. É um álbum muito bom. Fora a capa, que é ótima também. Que mais bandas de metal brasileiras passem a cantar em português!

Você pode adquirir o vinil roxo do Cemitério na Locomotiva Discos, clicando aqui. O vinil preto está aqui.