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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Lydia Lunch Retrovirus, "Urge To Kill" CD (Brava, 2015).

























Saiu no Brasil pela Brava o último álbum da Lydia Lunch, ícone no wave oitentista que segue trilhando uma cavernosa carreira no underground novaiorquino. O álbum foi gravado todo ao vivo e contém nove abrasivas canções que vão da psicodelia pop de pegada macabra ao blues envenenado. 

Para essa nova persona Lydia Lunch Retrovirus, a bruxa de olhos claros se reuniu com três músicos tarimbados da cena: Weasel Walter (Flying Luttenbachers), Tim Dahl (Child Abuse) e Bob Bert (que já tocou com Sonic Youth e Pussy Galore). Esse é o primeiro álbum lançado pela banda.





Ouvir esse disco após a leitura do recém-lançado livro sobre o Blondie leva a certas reflexões. Tanto Debbie Harry quanto Lydia Lunch são oriundas da mesma cena punk de Nova Iorque do final dos anos 70, mas enquanto uma foi alçada ao grande estrelato, a outra submergiu às profundezas do mundo sem nunca ter comprometido a integridade artística. Continua altamente relevante e esse álbum é a prova disso. 

Você pode adquirir Lydia Lunch Retrovirus “Urge To Kill” em CD na Locomotiva Discos clicando aqui.


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Bugio, "Bugio" 10" EP (Brava, 2015)


























O Bugio lembra as bandas no wave de Nova-Ioque como DNA, Swans e Lydia Lunch, também lembra nomes do math rock como Ui e Slint, mas sem a métrica perfeita, a música nesse caso é muito mais livre. Influenciado por experimentações jazzísticas, o ritmo marcado pela bateria deixa o baixo à vontade para viajar pelos caóticos campos das distorções e acordes minimalistas.




















Formada em São Paulo por dois integrantes do Auto, esse é o primeiro lançamento do Bugio, um duo baixo & bateria. A estreia saiu numa maravilhosa edição em dez polegadas prensadas num vinil branco, cujas capas foram pintadas, cortadas, carimbadas uma a uma pela própria banda. Lançada pela Brava, a mesma que recentemente trouxe o show do Pharmakon, é uma preciosidade que qualquer fã de um rock mais torto deve ter em sua coleção.





Compre o 10” do Bugio clicando aqui.


sábado, 5 de setembro de 2015

Pharmakon @ Cine Olido - 04/09/15.

























Pharmakon é Margaret Chardiet, uma loira que toca uma barulheira eletrônica que deixa as canções do Einstürzende Neubauten parecendo trilha sonora da Disney. Exagero a parte, o industrial noise performático da Pharmakon chama atenção pelo clima destrutivo e gritos agonizantes presentes nos dois discos lançados até o momento.

A primeira vez que ouvi falar em Pharmakon foi quando o Ricardo, que trabalha comigo na Locomotiva e toca baixo no Labirinto, me pediu para encomendar o segundo álbum, “Bestial Burder”, lançado ano passado. O disco chegou e observei a capa e os encartes, compostos de fotos de órgãos internos humanos. Uma doença. Quando coloquei pra tocar, depois de alguns minutos, tirei do som. Eu não estava sozinho e esse é o tipo de música que se ouve sozinho.

Fato é que depois eu ouvi, curti e entreguei o disco pro Ricardo, que adora esse tipo de coisa. Até que uns meses depois ele me pergunta se eu lembrava do Pharmakon. Sim, como não? Pois ela iria fazer um show de graça no Cine Olido, no centro de São Paulo, SP. Perto da Locomotiva Discos. Cortesia da Brava Etc, produtora e gravadora paulista dedicada aos sons experimentais.

Chegando ao local, fomos informados que não precisava retirar ingresso, que a entrada ia ser por ordem de chegada. Mas não tinha ninguém formando fila, então começamos a nos amontoar perto da porta do teatro/cinema. Tinha muita gente aguardando. A entrada até que foi tranquila, considerando a inusitada situação. O local tem capacidade para 230 lugares sentados. Foram todos os lugares ocupados e umas 50 pessoas tiveram que ficar em pé nos corredores laterais.

Assim que o show começou, um rapaz que estava na primeira fileira, exatamente na frente do palco, levanta e fica em pé, atrapalhando a visão de praticamente todo mundo que estava atrás. Começou uma gritaria e xingamentos, mas mesmo assim o rapaz ficou em pé, sem dar a mínima. Curioso. O show começou e Margaret transloucada percorre não só o palco, mas o teatro inteiro gritando desesperadamente. Enquanto isso a parafernália eletrônica disparava barulhos industriais na maior altura. Puro caos infernal.

Enquanto tudo isso acontecia, o rapaz em pé na frente do palco permanecia imóvel, olhando para frente, mesmo quando o palco estava vazio. Uma atitude tão provocativa quanto a da artista. Mas os xingamentos continuavam, até que uma garota não aguentou. Ela se levantou do meio da plateia e foi em direção ao rapaz, atacando-o o mesmo com tapas. A plateia vai ao delírio, urrando e batendo palmas. Mais pessoas levantam e tiram o rapaz ali da frente à força e uma confusão começa ao lado do palco. O show não para em nenhum momento.

Toda essa cena serviu para deixar o espetáculo ainda mais brilhante. Esse foi um dos melhores shows que eu já vi. A única coisa que realmente atrapalhou foram as luzes dos celulares e câmeras. Uma imbecil que estava na minha frente ficou com o braço levantado, segurando uma câmera e filmando boa parte do show. Atrapalhou bastante a minha visão. Ela inclusive era uma das que mais xingava o rapaz que estava em pé na frente do palco. Vai entender. 

























Você pode encomendar o LP "Bestial Burden" da Pharmakon na Locomotiva Discos clicando aqui.